A tributação do pecado como governança comportamental: regressividade econômica, invisibilidade fiscal e racionalidade biopolítica na tributação seletiva brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47319/rdft.v9n1.120

Palavras-chave:

Impostos do Pecado, Extrafiscalidade, Regressividade Tributária, Ilusão Fiscal, Governança Comportamental

Resumo

O artigo examina, sob perspectiva dogmático-jurídica, os “impostos do pecado”, compreendidos como tributos seletivos sobre produtos nocivos à saúde, como álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados, à luz do Imposto Seletivo instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado, em sua primeira etapa, pela Lei Complementar nº 214/2025. O problema investigado consiste em saber se tais tributos efetivamente protegem a saúde pública ou se a retórica sanitária opera como legitimação de estratégias arrecadatórias regressivas e politicamente invisíveis. O objetivo central é demonstrar que os impostos do pecado, no desenho brasileiro, ultrapassam a função sanitária e configuram mecanismos de governança comportamental. Para tanto, reconstroem-se os fundamentos e os limites constitucionais da extrafiscalidade e confronta-se, no caso brasileiro, a regressividade da tributação sobre o consumo com a racionalidade biopolítica subjacente. Através de revisão bibliográfica, análise normativa e exame da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, sustenta-se a hipótese de que esses tributos se estruturam em três traços integrados: regressividade (econômica e étnico-racial), invisibilidade fiscal e racionalidade biopolítica. Conclui-se que a retórica sanitária frequentemente encobre finalidade arrecadatória regressiva, propondo-se diretrizes de reorientação normativa fundadas na subsidiariedade, na proporcionalidade e na restauração da progressividade.

Biografia do Autor

  • Carine Labres, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

    Juíza de Direito vinculada ao Poder Judiciário do Rio Grande do Sul. Doutoranda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS). Mestra em Direitos Transindividuais pela Fundação da Escola Superior do Ministério Público do RS (FMP/RS). Mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Correio eletrônico: labrescarine@gmail.com. 

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Publicado

26-06-2026

Como Citar

LABRES, Carine. A tributação do pecado como governança comportamental: regressividade econômica, invisibilidade fiscal e racionalidade biopolítica na tributação seletiva brasileira. Revista de Direitos Fundamentais e Tributação, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. e120, 2026. DOI: 10.47319/rdft.v9n1.120. Disponível em: https://www.rdft.com.br/index.php/revista/article/view/120.. Acesso em: 21 out. 2026.

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